Depois de milhões de anos de evolução biológica, primamos por ser os animais que mais engolem. Engolimos sapos vivos, quando é necessário, o fumo de carros sem filtro, certas pessoas, bocados de jornal, outras pessoas mais, casamentos intragáveis, palavras mal ditas por telefone, cartas que nunca se escreveram, erros de ortografia, bancos de rua mal empregados, a incompreensão, as velhas no autocarro, queixas e mais queixas, o lixo que alguém não separou nem deitou fora, eleições fictícias, lágrimas, o pão duro da manhã, orgasmos de outrém, silêncios forçados, o passado, o orgulho, a vida. Engolimos tudo. Sem digerir. Somos os maiores autófagos de que há memória.
1 comentário(s):
O que não mata, engorda. Somos terrivelmente gordos ( antes matasse ) !
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