terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Uma jornalista de uma conhecida estação televisiva protagonizou um episódio insólito. Desafiando os preceitos por que se rege a comunicação social, fez um voto de silêncio de quinze dias, em que se compremetia a não emitir qualquer juízo por linguagem falada, escrita ou gestual, exceptuando, nesta última, "o imprescindível à convivência". Na declaração que fez para o telejornal, em directo, a jornalista justificou a iniciativa com "a crescente dificuldade em escutar, inversamente proporcional ao vício de falar e ter opiniões", e acrescentou: "os anos de profissão levam-me a crer que, hoje, por mais que falemos, não estamos predispostos a ouvir muito além da nossa voz".
Porém, ontem, naquele que seria o sétimo dia de voto, a jornalista foi hospitalizada com indícios de ataque de pânico, tendo-lhe sido diagnosticado um esgotamento nervoso. Segundo declarações dos familiares, a ruptura foi inesperada: "Nada levava a crer que este seria o desfecho. Durante este período, revelou-se extremamente atenta aos demais, e fez questão de manter a convivência social, pois queria forçar-se a omitir os seus valores e ideais. Não notámos qualquer problema com ela. Mas afinal, revelou-se muito alterada e revoltada. A primeira palavra que disse foi um impropério impronunciável."
O caso, porém, teve sucedâneos. Nos dias que se seguiram ao directo, várias figuras públicas aderiram à iniciativa. Em pouco tempo, o caos parece ter-se instalado, com vários pedidos de demissão e até ameaças à integridade física dos envolvidos. O caso mais inoportuno parece ser o do Primeiro Ministro, que ainda não voltou a surgir em público depois de, na inauguração de uma escola primária, se ter impacientado com os insultos de algumas crianças.

0 comentário(s):

Enviar um comentário